terça-feira, 13 de maio de 2008
Pois é ¬¬
Os jovens estavam pirados, e tudo era uma babaquice. Trabalhar era uma babaquice. Usar uma calça na cintura era uma babaquice, era preciso arrastar os pés e mostrar a barriga. Era uma babaquice ir ao colégio. E ainda por cima era uma chatice, os professores eram uns escrotos. Sempre que podiam, os jovens iam se manifestar contra o ensino público, eles não sabiam ao certo por que se manifestavam e quais eram as reivindicações almejadas, mas se manifestavam. A autoridade paterna vivia, é claro, tempos bem difíceis, uma vez que ela era a própria encarnação da babaquice. E quando esses dois pobres coitados ultrapassados pelos acontecimentos que eram os pais tentavam fazer com que sua prole ouvisse a Voz da razão (razão=babaquice), por intermédio de uma admoestação do bom senso cujo tema diz respeito ao futuro e à dificuldade do mercado de trabalho para os jovens sem diploma com as calças arrastando no chão e a mente meio débil devido ao abuso de marijuana, o jovem, com um boné com a figura do Che Guevara(ele ignorava quem foi exatamente o Che Guevara, mas o Che Guevara era cool), o jovem, então, latia um:"estou de saco cheio dessa merda toda", e ia se trancar no quarto, uma vez que o Big Brother já estava começando.
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